segunda-feira, 27 de julho de 2026

Em Nome do Senhor - Assembleia orante, povo sacerdotal

Neste mês, gostaria de apontar novamente alguns pontos importantes que passam despercebidos por nós, assembleia orante que participa da Santa Missa. A liturgia é rica em símbolos e palavras, e cada detalhe possui um importante significado. No entanto, não é possível tratar de todos eles aqui. Por isso, escrevo neste mês para corrigir alguns pequenos detalhes que, com o passar do tempo, acabaram parecendo fazer parte da liturgia.

Vejo que, durante a persignação antes da proclamação do evangelho, enquanto o sacerdote ou o diácono diz: "Proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo...", algumas pessoas, em voz baixa, rezam a oração introdutória: "Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos". Contudo, essa oração não é necessária e não faz parte da liturgia.

A persignação realizada nesse momento possui um significado próprio. Ao traçarmos o sinal da cruz sobre a testa, os lábios e o peito, pedimos ao Senhor que ilumine a nossa mente para compreender a sua palavra, santifique os nossos lábios para anunciá-la e abra o nosso coração para acolhê-la com fé. Por esse motivo, não é adequado substituir ou acompanhar esse gesto com a oração introdutória. A oração "Pelo sinal da Santa Cruz..." pertence à devoção particular e às orações populares, não fazendo parte do rito da proclamação do evangelho. Na liturgia, basta realizar a persignação em silêncio, unindo-se ao significado desse gesto.

É muito comum que algumas palavras sejam pronunciadas de forma incorreta, pois, muitas vezes, pronunciamos aquilo que ouvimos, e não aquilo que está escrito. Após o ofertório, o sacerdote que preside a Eucaristia dirige-se ao povo e com ele trava um belo diálogo: "Orai, irmãos e irmãs, para que o meu e o vosso sacrifício...". O povo responde com as seguintes palavras: "Receba o Senhor, por tuas mãos, este sacrifício...". Porém, é muito comum vermos pessoas na assembleia pronunciarem: "Receba, ó Senhor, por tuas mãos...". O pequeno acento no "o" modifica completamente o sentido da resposta, pois, ao dizer "ó", a pessoa se dirige diretamente a Deus, e não ao sacerdote. O sentido do responsório é pedir que Deus receba, pelas mãos do sacerdote, a oferta apresentada, e não que o próprio Senhor a receba por suas próprias mãos.

Em 2023, a CNBB promulgou a nova edição do Missal Romano, na qual foram acrescentadas algumas expressões que antes não constavam no texto. Agora, no final desse responsório, não dizemos apenas: "para o nosso bem e de toda a sua Igreja", mas: "para o nosso bem e de toda a sua santa Igreja", destacando a santidade da Igreja da qual fazemos parte e o bem que este sacrifício traz para nós, que estamos ali celebrando, e para toda a Igreja espalhada pelo mundo.

Outro erro bastante comum é dizer "Amém" após o Pai-Nosso durante a Santa Missa. A liturgia nos orienta a não pronunciar esse "Amém", pois a oração seguinte — "Livrai-nos de todos os males..." —, inspirada em uma antiga tradição cristã presente na Didaqué, complementa o Pai-Nosso. Assim, a oração não termina em "livrai-nos do mal", mas prossegue com a oração rezada pelo sacerdote, concluindo-se no responsório: "Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre".

Também é muito comum que a assembleia troque o abraço da paz. Contudo, esse gesto nem sempre é realizado, e sua iniciativa não cabe à assembleia, mas àquele que preside a celebração. Quando vemos as pessoas saudarem umas às outras sem que o sacerdote tenha feito esse convite, isso demonstra falta de atenção ao que está sendo celebrado. Se o sacerdote não disser: "Saudai-vos com um gesto de paz", não é necessário que os fiéis troquem esse gesto, pois, naquela ocasião, o celebrante julgou não ser oportuno realizá-lo. A paz já foi transmitida de forma litúrgica quando ele proclamou: "A paz do Senhor esteja sempre convosco", e a assembleia respondeu: "O amor de Cristo nos uniu".

Por fim, o último erro que gostaria de apontar passa tão despercebido que, ao pronunciarmos esse responsório, já o dizemos de forma automática. Comete esse erro quem pronuncia: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo". Defendo que não se deve pronunciar o advérbio "só", pois, ao dizer apenas "uma palavra", a ideia de exclusividade já está expressa, sem necessidade de reforço. Assim, a forma que o missal acha mais adequada seria: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo". Pois este responsório é inspirado nas palavras contidas no evangelho de Mateus 8,8, podendo por uma conceção particular da missa, ser pronunciada tanto no masculino, como no feminino. 

Por fim, gostaria de recordar que é importante responder às orações e aos responsórios exatamente como são apresentados no Missal Romano. A liturgia da Igreja foi cuidadosamente organizada e aprovada para expressar a unidade da fé e da oração. Por isso, quanto mais fielmente pronunciarmos as palavras propostas pela Igreja, mais plenamente participaremos da celebração do mistério da Eucaristia.

Espero que você, leitor, corrija algumas dessas falhas, caso as esteja cometendo, para que possamos celebrar com ainda mais dignidade o mistério da Eucaristia.

Kairo Marques

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