segunda-feira, 25 de maio de 2026

Papa Francisco, o mundo tem saudades de ti

Ao som do melancólico canto exequial: “Requiem aeternam eis, Domine, et lux perpetua luceat eis.” (Dai-lhes o descanso eterno, Senhor, e que a vossa luz perpétua os ilumine), e com a emoção de muitos católicos que encheram a Praça de São Pedro, há um ano, o caixão do Papa Francisco era trazido para a missa de corpo presente, concelebrada por cardeais do mundo inteiro. Ali, a Igreja enlutada chorava a morte de seu líder espiritual.  

Naqueles dias de seu funeral, passava por nossas cabeças aquele memorável 13 de março de 2013, quando ele foi eleito papa, e, de modo tão simples e humilde, se apresentou no balcão da Basílica Vaticana para sua primeira aparição e bênção como Sumo Pontífice. Sua última aparição, nessa mesma Basílica, para a mesma bênção Urbi et Orbi, revelou-nos ser um pastor que amou profundamente o Senhor Jesus e o seu rebanho, tanto que o Ressuscitado o chamou para ressuscitar com ele no dia seguinte, na segunda-feira de Páscoa. Agora, Francisco participa da glória da ressurreição e se junta aos seus predecessores na eterna comunhão dos Santos.  

Como bem disse o Cardeal Decano do Colégio Cardinalício, Cardeal Giovanni Battista Re, em sua homilia, o Papa Francisco foi um homem que dedicou todas as suas forças ao Reino de Deus e ao seu rebanho, como vimos nos últimos meses de sua vida, marcados pela fragilidade do corpo, mas com o desejo visível de evangelizar, demonstrado em seus gestos de acolhimento, escuta e aconselhamento, mostrando que a Igreja é um lugar para todos.  

"Apesar da sua fragilidade nesta reta final e do seu sofrimento, o Papa Francisco escolheu percorrer este caminho de entrega até ao último dia da sua vida terrena. Seguiu as pegadas do seu Senhor, o bom Pastor, que amou as suas ovelhas até dar a própria vida por elas. E fê-lo com força e serenidade, junto do seu rebanho, a Igreja de Deus." (Cardeal Re)  

Sua grande marca foi a misericórdia, sempre presente em suas pregações e estampada em seu carisma único. O lema de seu pontificado, estampado em seu brasão, dizia: Miserando Atque Eligendo (Olhou-o com misericórdia e o elegeu). Ele foi um rosto de misericórdia para muitos de nossos irmãos, que por meio dele se sentiram próximos do Senhor. Dele nos veio o belíssimo Ano Jubilar da Misericórdia e a inauguração do Jubileu que no ano passado vivenciamos, um chamado a revitalizar, em nós, a nossa esperança em Cristo Jesus.  

Ele inaugurou o Ano da Esperança, e no decorrer dele foi concretizá-la na eternidade. Talvez a esperança tenha sido a segunda maior marca de seu pontificado, já que suas palavras simples e acolhedoras suscitavam esta virtude em tantos corações que a haviam perdido.  

Ele foi um homem de paz. Lembro-me de que todos os domingos, na oração do Angelus, ele clamava pela paz nos países que estavam em guerra, lembrando-se das crianças e dos idosos, que são os que mais sofrem com a guerra. Trago em minha memória o que ele frequentemente dizia: “A guerra é uma derrota sempre!”.  

Entre minhas recordações prediletas, estão as vezes em que participei de eventos que ele presidiu, onde pude vê-lo de perto, como: em Aparecida, quando ele veio ao Brasil para a JMJ 2013, e em Lisboa, para a JMJ 2023, quando participei dos eventos que ele presidiu para nós, jovens, e das vezes em que ele passou de papamóvel, muitas vezes bem perto dos lugares onde eu me encontrava. Lembro-me de uma de suas pregações na JMJ 2023, em que nos dizia: “Jovens e velhos, sãos e enfermos, justos e pecadores, todos, todos, todos. Na Igreja há lugar para todos... ela é mãe de todos.”  

São João Paulo II, uma vez, disse de São Francisco de Assis: “Francisco... o mundo tem saudades de ti, qual imagem de Jesus crucificado. Tem necessidade do teu coração aberto para Deus e para o homem.” Hoje, essas mesmas palavras podemos dirigi-las ao Papa Francisco: pois o mundo também tem saudades dele, que durante o seu sofrimento foi uma imagem viva de Jesus e um testemunho de perseverança para nós.

"O Papa Francisco costumava concluir os seus discursos e encontros pessoais dizendo: 'Não vos esqueçais de rezar por mim'.  

Agora, querido Papa Francisco, pedimos-Vos que rezeis por nós e pedimos que, do céu, abençoeis a Igreja, abençoeis Roma, abençoeis o mundo inteiro, como fizestes no domingo passado, do balcão central desta Basílica, num último abraço a todo o povo de Deus, mas também, idealmente, à inteira humanidade, com a humanidade que procura a verdade de coração sincero e segura bem alto a chama da esperança." (Cardeal Re)  

Que a Bem-aventurada Virgem Maria, cuja basílica, em sua honra, ele escolheu para ser sepultado, possa acolhê-lo, introduzindo-o na gloriosa Cidade Celeste, e na luz da ressurreição de seu Filho.  

Kairo Marques

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