A Semana Santa se aproxima e, com ela, um tempo de rica espiritualidade. Relembramos os últimos passos de Jesus na cidade santa de Jerusalém. Todas as celebrações litúrgicas nos conduzem a uma profunda espiritualidade, que nos faz olhar para a Páscoa, celebração maior de nossa fé.
A liturgia, por meio de seus
textos e reflexões, nos bastaria para a mortificação da alma penitente, pois a alma
que medita os mistérios da Paixão adota para si uma grande rejeição ao pecado e
um enorme desejo de consolar o Senhor.
Além da oração, que por excelência
nos leva à contrição, a Igreja nos chama à penitência, que é de diversas formas
incentivada neste tempo quaresmal. Com isso, podemos nos associar melhor ao mistério
que celebramos, pois ela nos recomenda passar das palavras ditas em oração à concretude
da ação e nos exorta à prática da penitência e do jejum, sobretudo na Quarta-feira
de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão.
Mas por que devemos praticá-las?
“Virão dias quando o noivo lhes será tirado e, então jejuarão.” (Mt 9, 15) Cristo,
com sua morte e ressurreição, abriu para nós as portas do paraíso, concedendo-nos
aquilo que o pecado nos retirou pela desobediência de nossos primeiros pais. Mas,
mesmo tendo sido alcançados pela graça singular de Cristo, por liberdade pessoal
o pecado continua a imprimir em nossas almas a marca destrutiva do mal.
E, se o pecado nos leva aos
vícios, as virtudes e tudo aquilo que nos conduz a elas são, pois, contribuições
para a regeneração do homem pecador. Se o pecado imprime em nós os vícios da intemperança,
da avareza e da soberba, a penitência traz em suas práticas o desapego aos bens
humanos e uma busca virtuosa pelo propósito de santidade que Deus deseja para o
homem crente: “Completo, em minha carne, o que falta a paixão de Cristo...” (Cl
1,24).
A penitência tem um sentido
profundo de reparar na alma aquilo que ela menosprezou com o pecado, além de desagravar
os erros que cometemos contra aquele que, sendo puríssimo, nos fez participantes
de sua pureza, Cristo Jesus. Logo, torna-se primordial não só a ação realizada na
penitência, mas também a reflexão sobre aquilo que nos levou ao pecado, pois todo
gesto, de mente e de corpo, deve ser um exame de consciência que nos redireciona
para o caminho de Cristo, que é nossa vida.
Mas como praticá-las? De fato,
a penitência pode ser vivida de diversas formas, conforme a possibilidade de cada
indivíduo que a pratica. Entre as mais comuns está a abstinência, que consiste em
retirar de si algo que lhe agrada, para que os desejos da carne não sejam maiores
do que os desejos da fé. E há também o jejum. O jejum é “sacrificar” pelo menos
uma das refeições, almoço ou jantar, para que aqueles minutos de fome encontrem,
na humildade e na oração, o sustento e o remédio para a alma que busca a graça do
Senhor.
Para enriquecer ainda mais
a espiritualidade em preparação para estes dias, recomendo a leitura do livro A
Última Semana, dos autores Marcus J. Borg e John D. Crossan, que relatam com detalhes
como foram os últimos dias de Jesus em Jerusalém. Este livro pode ser encontrado
na biblioteca pública municipal.
Kairo Marques
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