sexta-feira, 27 de março de 2026

Em Nome do Senhor - Semana Santa e o jejum

      A Semana Santa se aproxima e, com ela, um tempo de rica espiritualidade. Relembramos os últimos passos de Jesus na cidade santa de Jerusalém. Todas as celebrações litúrgicas nos conduzem a uma profunda espiritualidade, que nos faz olhar para a Páscoa, celebração maior de nossa fé.

      A liturgia, por meio de seus textos e reflexões, nos bastaria para a mortificação da alma penitente, pois a alma que medita os mistérios da Paixão adota para si uma grande rejeição ao pecado e um enorme desejo de consolar o Senhor.

      Além da oração, que por excelência nos leva à contrição, a Igreja nos chama à penitência, que é de diversas formas incentivada neste tempo quaresmal. Com isso, podemos nos associar melhor ao mistério que celebramos, pois ela nos recomenda passar das palavras ditas em oração à concretude da ação e nos exorta à prática da penitência e do jejum, sobretudo na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão.

      Mas por que devemos praticá-las? “Virão dias quando o noivo lhes será tirado e, então jejuarão.” (Mt 9, 15) Cristo, com sua morte e ressurreição, abriu para nós as portas do paraíso, concedendo-nos aquilo que o pecado nos retirou pela desobediência de nossos primeiros pais. Mas, mesmo tendo sido alcançados pela graça singular de Cristo, por liberdade pessoal o pecado continua a imprimir em nossas almas a marca destrutiva do mal.

      E, se o pecado nos leva aos vícios, as virtudes e tudo aquilo que nos conduz a elas são, pois, contribuições para a regeneração do homem pecador. Se o pecado imprime em nós os vícios da intemperança, da avareza e da soberba, a penitência traz em suas práticas o desapego aos bens humanos e uma busca virtuosa pelo propósito de santidade que Deus deseja para o homem crente: “Completo, em minha carne, o que falta a paixão de Cristo...” (Cl 1,24).

      A penitência tem um sentido profundo de reparar na alma aquilo que ela menosprezou com o pecado, além de desagravar os erros que cometemos contra aquele que, sendo puríssimo, nos fez participantes de sua pureza, Cristo Jesus. Logo, torna-se primordial não só a ação realizada na penitência, mas também a reflexão sobre aquilo que nos levou ao pecado, pois todo gesto, de mente e de corpo, deve ser um exame de consciência que nos redireciona para o caminho de Cristo, que é nossa vida.

      Mas como praticá-las? De fato, a penitência pode ser vivida de diversas formas, conforme a possibilidade de cada indivíduo que a pratica. Entre as mais comuns está a abstinência, que consiste em retirar de si algo que lhe agrada, para que os desejos da carne não sejam maiores do que os desejos da fé. E há também o jejum. O jejum é “sacrificar” pelo menos uma das refeições, almoço ou jantar, para que aqueles minutos de fome encontrem, na humildade e na oração, o sustento e o remédio para a alma que busca a graça do Senhor.

      Para enriquecer ainda mais a espiritualidade em preparação para estes dias, recomendo a leitura do livro A Última Semana, dos autores Marcus J. Borg e John D. Crossan, que relatam com detalhes como foram os últimos dias de Jesus em Jerusalém. Este livro pode ser encontrado na biblioteca pública municipal.

Kairo Marques

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